20 abril, 2007

Fora do mundo

Quando a gente fica um tempo fora do mundo acaba, de tanto tentar lembrar como ele era, repassando tudo o que se sabe dele na mente, sem parar. Ver o mundo de fora, ver de fora a vida que você deixou no mundo fez entender direito o que antes parecia ininteligível. Faz convicções sólidas como uma rocha de dez toneladas parecerem folhas de papel que voam ao primeiro vento. O mundo de fora faz o vivente irritar-se consigo mesmo, por ter estado tanto tempo acomodado pensando que vive tudo que pode enquanto apenas assiste todos os dias ao mesmo fime ruim, na mesma tela embaçada, com as mesmas cores distorcidas.
Para aprender a viver é preciso parar de viver. Essa é a lição de todo mundo que sai do mundo e depois retorna refeito. Vivemos como que tenta contar os postes de dentro de um trem. Nunca vai conseguir, pois quando começar a obter sucesso vai se sentir enjoado demais para continuar. A grande sacada é parar de viver de vez em quando. É isso que faz a vida ter sentido. Só a ausência valoriza. Ausente-se do encontro que você tem consigo mesmo todos os dias, em frente ao espelho, quando acorda. Tente sonhar consigo acordado. Mas não sonhe nada que não seja real. Sonhe a sua vida. E só acorde quando tiver certeza que vai saber vivê-la direito.

Essa é a minha mensagem, Michele, que vai junto com a minha saudade de você...

De verdade.

:*

19 abril, 2007

recomeçando

Daí eu escrevo, apago, escrevo denovo, apago mais uma vez.
Definitivamente, não sei o que escrever.
Queria mesmo era atualizar, reativar isso já que agora o Jouber voltou a poder navegar nos vastos oceanos da internet.
Então é apenas isso.
Um beijo enorme Jouber, estou morrendo de saudade do seu abraço de urso!
ADORO VOCÊ
DE VERDADE!

02 fevereiro, 2007

Posso te abraçar?


Eu me sentei hoje em frente a esse computador disposto a escrever algo para a Michele. Algo bom. Algo definitvo. Queria escrever algo como um gol aos 48 minutos que sepulta as chances do adversário. Queria escrever algo como uma flor depois de uma briga. Um dez num exame. Um muito obrigado. Um algo cabal. Pensei, pensei, pensei, e nada bom me apareceu. Quando eu já estava ficando muito triste, resolvi ouvir uma música que, particularmente, acho muito bonita, e que é cabal como o texto que queria escrever. Uma música daquelas que se põe numa noite em que se quer algo mais. Uma música de segundas intenções. Mesmo assim achei que valia.

A música é "Baby Can I Hold You?", de um cantor chamado Tracy Chapman. E eu a adaptei para algo que eu gostaria de dizer, aproveitando essa ausência rápida da Michele.

"Desculpas são tudo que você não deve dizer. Os anos vão passar e permanecer, mas as palavras não retornam. Também não adianta me pedir para esquecer, pois não vou dizer algo assim. Mas você pode me perguntar se pode me abraçar, e te dizer as palavras certas, na hora certa. O que eu posso dizer, e toda noite gostaria de dizer, é "você pode me abraçar?". Talvez se eu disser as palavras certas na hora certa..."


Isso é só porque o carinho que eu criei por você, Michele, é muito grande, e irreversível. E todas as noites que sentado aqui, eu te encontro do outro lado, sorrindo, brincando, brigando, chorando, eu tenho uma vontade muito grande de te dar um grande abraço, mas sem pedir permissão como na música. Um abraço maior do que os que te dei nas poucas vezes que nos encontramos. Como os que dou mentalmente todos os dias daqui. Você já é muito especial. Já é uma das minhas paixões.

Me desculpe por não estar inspirado, nem escrever algo que seja realmente bonito. Mas uma vez alguém disse que basta que a frase seja sincera, e isso já basta. E as minhas são sinceras. São de verdade.
O melhor pra você, gatsinha.

30 janeiro, 2007

De verdade

De nós, emana verdade
Nós, que fomos um acidente
Um algo improvável
Um que diferente
Hoje somos nós não mais por acaso
Mas por escolha

Escolhemos um ao outro para compartilhar
Idéias, aflições e loucuras
Para sermos nós dois na cólera
Nós dois na paixão
De verdade

E eu já não vejo mais as fronteiras
Vejo nossa cumplicidade
Nossa reciprocidade
Vejo que somos nós mesmo
E essa visão fica
Permanece não por escolha
Mas por prazer

E hoje, minha amiga
Formalizo a paixão que tenho por ti
Pelos teus destemperos
Teus devaneios
E tua beleza que vem de dentro
E explode no teu corpo inteiro

Do medo que tive
Da espera que tive
De tudo que tive
Não lembro mais
Lembro de ti
Lembro de nós
E fico feliz
Por ouvir tua voz ao meu lado


Muito obrigada pelo poema, te adoro, de verdade!

29 janeiro, 2007

Irra! com dois erres mesmo

Fui ao velório do pai de uma grande amiga minha hoje à tarde. E enrustei mais um pouco da minha cólera para poder despejá-la nesse, que é o espaço mais apropriado. Conheço essa amiga há mais de 12 anos, e pude conviver com seu pai, João, em algumas oportunidades. No último ano estive em suas casas em Joinville e em Penha, viajei pela 101 com ele, além de ter me sentado à mesa com toda a sua família. Por isso, me senti muito à vontade para confirmar minha presença no seu velório e no seu enterro, enfim, na sua despedida. Lá chegando, encontrei a capela mortuária lotada. Até aí, tudo bem. Porém, vendo a movimentação, comecei a me inteirar sobre a identidade das pessoas que lá estavam. E a partir daí cresceu a minha indignação.
Lá estavam alunos da escola que era dirigida pelo João. Tudo bem. Porém, uma boa parte da preocupação acumulada que levou o João a enfartar veio das dores de cabeça que tinha na escola, que fica perto do presídio de Joinville, com os marginais que lá aprontavam. Mas isso não é nada perto do asco que me causam as pessoas que durante a vida do João o fizeram preocupar-se, ou o ignoraram solenemente, e hoje estavam lá, chorando e resmungando "ele era um homem bom". Não que não fosse, mas não necessita dos lampejos de memória hipócrita dessas pessoas que não tinham o direito de estar ali.
Hipocrisia descarada ninguém merece, convenhamos. Quando cheguei em casa, abri meus blogs e nos comentários encontrei brincadeiras sem graça e comentários descabidos em várias edições, sempre da mesma pessoa. Essa pessoa, que faz questão de comentar sempre, parece que não percebe que seus comentários são completamente desnecessários, e que eu não estou disposto a ler sobre a sua normalidade linda e maravilhosa, e seus dotes de pessoa que pensa que é o que não está nem perto de ser. Se é para ter comentários assim, prefiro escrever para ninguém ler.

26 janeiro, 2007

Um pouco de paixão.

Quero, antes de mais nada, pedir desculpas ao meu grande amigo Jouber por ter demorado tanto tempo para postar alguma coisa aqui, mas estive ausente alguns dias e então...
Mas deu pra dar uma carregada de energias positivas, e uma dessas coisas boas eu quero comentar aqui. (: (permita-me usar carinhas?)
Bem, acho que isso aqui tá muito negativo, ar pesado e tal... Veja bem, até agora só falamos de cólera, então que tal um pouco de paixão? ;D
Nesses ultimos dias, como já citei, coisas muito boas aconteceram. Uma delas foi ter visto uma estrela cadente, no cenário mais perfeito! Eu estava deitada na pedra da praia, vendo as ondas "brigarem" com as pedras quando fiquei um tempo olhando pro céu. De repente, na hora que eu menos espero, um dos brilhantes pontinhos faz um risco no céu. E, bem, fiz o meu pedido, dizem que não dá pra contar pra ninguém, se não eu até contava (:
E era sobre essas coisas que queria comentar. Pra mim não tem nada mais bonito do que um fim de tarde na praia, e ficar lá por horas e horas sentada em uma pedra olhando as ondas. Eu olho aquela imensidão de água, penso em nada, e penso em tudo.
É olhando a natureza e essas coisas tão simples que eu tenho cada dia mais certeza de que existe um Deus criador das coisas perfeitas do mundo, que faz com que cheguem 26 ondas por minuto na praia, em todas as praias, todos os dias, não importa se sob sol ou tempestade, em qualquer lugar do mundo, sempre chegará 26 ondas na praia todos os minutos.
Então aí está a primeira postagem sobre paixão. E quem venham muitas paixões!

21 janeiro, 2007

Pra dar corda.

Eu quero dizer, e tenho certeza que a Michele vai concordar comigo, que não tem coisa pior que gente prevalecida. Falsidade a gente aceita, tenta conviver, pratica tai chi chuan e vai levando. Pessoas invejosas, fofoca, outras coisas ruins, a gente evita. Mas os boçais é impossível. Eles vêm se espalhando no seu caminho como água suja no chão limpo, tomam todos os espaços e sufocam até aquele resto de bom-senso que você guarda para os momentos de necessidade. Aí, quando eles começam a sessão de te aborrecer, não há yoga que segure o ímpeto de voar no pescoço do dito cujo e torcer até sair todo o sangue como fazemos com o suco de um limão, recolher numa vazilha e fazê-lo se afogar no líquido vermelho. Aliás, é incrível a capacidade que os boçais têm de nuvear nossa visão e nos alijar de nossa capacidade de discernir o certo do errado.
A Michele me contava, há algum tempo, sobre um caso de um alguém que, mesmo depois de todas as dicas educadas, de todo o exercício de polidez que alguém recebe de seus pais e da sociedade, todas as indiretas mais diretas que um chute do Roberto Carlos, continuava se espalhando a cada oportunidade, a la Nigel Mansel nas curvas de Mônaco. Contou também a situação que derivou nesse post: a sua clássica e inescapável perda do restinho de paciência que ainda havia. Falou sobre tudo que disse ao dito cujo alguém, sendo que tais palavras fariam até a mais ignorante das portas perceber a mensagem que nem implícita era mais.
Terminado o episódio, após um tempo de calmaria que sucede a tempestade, o indivíduo novamente ensaia sua entrada triunfal no rol das pessoas mais odiadas. E quando a Michele, que tem o pavio bem mais curto que o meu (apesar que o meu é bem longuinho, sem apologias), sentiu o sangue ferver, eu entrei em ação para dar uma acalmada.
Todo esse relato leva a minha conclusão: há algo no mundo pior que pessoas prevalecidas. São elas as pessoas prevalecidas que acham que ser assim é normal. Ou melhor, que não chegam a perceber que são boçais. Porque, convenhamos, é preferível alguém ser ruim e ter consciência disso, do que ser prevalecido e nem se ligar das m... que faz. Se quer ser um mala, que pelo menos faça bem feito.

19 janeiro, 2007

A Cólera

Nem tudo é paixão, nem tudo é sincero como a nossa amizade, nem todo mundo prefere a verdade. E aconteceu hoje o que acontece todos os dias: pessoas prefirindo "quantidade" à "qualidade". E aí eu me pergunto, por que pessoas dão preferência a falsidades de faz-de-conta?

"Faz-de-conta que eu te adoro, que somos amigas, que eu te acho linda e super-legal"?

Me indignam tais atitudes, e ainda o indivíduo vem me pedir pra participar desse 'conto-de-fadas'? Sim, conto-de-fadas, não é neles que tudo dá certo, que todos se amam pra sempre?
Em meio a tantas mentiras fico perdida, será que essa é a saída? Participar disso tudo? Me fingir de princesa, acreditar que meu príncipe vai chegar em um cavalo branco e que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são e serão felizes pra sempre?
Não, eu não consigo me imaginar participando disso tudo. E quer saber? Não faço questão nenhuma dessas pessoas gostarem das minhas atitudes, até porque eu não aprovo nem um pouquinho tudo isso que estas fazem!
E isso é cólera!

Do Aurélio:

Cólera
[Do gr. choléra, pelo lat. cholera, ‘doença biliosa’, ‘ira’.]
Substantivo feminino.
1.Impulso violento contra o que nos ofende, fere ou indigna; ira, raiva, fúria, furor, zanga.
2.A ferocidade dos animais:
a cólera do tigre.
3.Fig. Ímpeto, agitação:
a cólera das ondas.

E assim seguiremos, falando de verdade.

Um.

Ontem, ela e eu entramos de novo numa discussão que já haviamos tido. Mas, oh! Valeu a pena. De novo eu falei sobre as fraquezas humanas, sobre a falsidade, sobre os problemas de conduta de quem nos cerca. E de novo ela concordou comigo. E a nossa amizade se fortaleceu com um pacto. E não havia sangue, nem dinheiro, nem contrato, nem testemunhas. Haviam eu, meu monitor, um cabo, o monitor dela e ela. E a única prova. Uma frase. Um lema. Que diz tudo. Que sintetiza toda a sinceridade que empreenderei junto a ela até o ano de 3007.

"De Verdade"

Assim nós vamos ser naquelas noites morosas. E nas agitadas também. Quando virmos todo a injustiça que aparece dos nossos lados, e a falta de vergonha que aparece na nossa frente. No meio das nossas palavras, fecharemos os olhos e só aparecerá uma palavra na mente: VERDADE. Porque esse é o nosso compromisso.
Compromisso de ser sempre sincero. Se a gente gosta, a gente fala. Se não gosta, fala também.
Essa é a moral. Alternar a paixão e a cólera o tempo todo. Paixão como a que sinto pela minha companheira. E cólera como a que sinto por quem não gosta dela.

Está inaugurado o Paixão e Cólera.